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Diário de bordo #5 – Aldeia de Monsanto, Portugal

Numa das minhas visitas a título pessoal pelo interior de Portugal há uns anos, decidi passar por aquele que era um dos locais que há muito tinha na minha lista de locais prioritários a visitar dentro de fronteiras: Aldeia de Monsanto.

Estava num roteiro de alguns dias e este foi a última paragem de todas.

A caminho da referida aldeia, nada previa o que estava prestes a conhecer, ao longe tem-se uma fraca impressão daquilo que realmente Monsanto é. Considerada a aldeia mais portuguesa de Portugal, ainda durante a ditadura, o lugar ia-me provocando alguma excitação à medida que me ia aproximando.

Como referi, ao longe, nada evidenciava a magnificência do local. Foi amor à primeira vista. Uma paixão assolapada pela forma como a aldeia foi desenvolvida, pela sua geografia e história. Devo dizer que o estacionamento não é farto, embora não tenha tido dificuldade em arranjar estacionamento uma vez que me encontrava com um veículo pequeno.

Uma vez que cheguei à hora de almoço e tinha já o estômago a roncar, decidi procurar um restaurante local. A finalidade das minhas experiências passa também, sem dúvida, pela gastronomia. Aliás, não poucas as vezes refiro: “Gastronomia para mim é cultura!”. Assim, escolhido um restaurante local com uma vista deslumbrante (o que não é difícil), decidi mergulhar na melhor gastronomia local, quer nas suas entradas, pratos principais e, claro está, sobremesas. Uma vez que a minha esposa (e companheira de aventuras) me acompanhava nesta jornada, foi possível ter uma dupla experiência, dado que cada um pedira um prato principal e sobremesa distintos para que pudéssemos ter uma perspectiva local o mais alargada possível.

Posto fim ao fantástico repasto com enorme ingestão de calorias (equivalente ao que um trabalhador rural deve ingerir durante uma semana), chegou a altura de conhecer efectivamente o magnífico local.

A caminha começou por ser fácil, mas à medida que fomos trepando montanha acima (onde os carros não chegam), foi-se tornando mais difícil porque quanto mais se avançava, mais o caminho ia ficando ingreme. Em suma, chegar ao castelo foi uma verdadeira vitória, um trajecto penoso, porém, bastante gratificante. Pelo caminho fui vislumbrando como as casas foram, em alguns casos, construídas na rocha e toda construção cénica que nos é permitido deslumbrar. Quem me lê nunca irá ter uma noção de quão magnífico é toda esta caminhada, todo este local e toda esta experiência de descoberta.

Ao chegar ao topo fica-se com a sensação de que se é dono do mundo por se ter uma panorâmica de se perder de vista onde Monsanto é, sem dúvida, o local mais alto das redondezas.

Após vasculhar o topo e de fazer algumas fotografias interessantíssimas e, porque também já se fazia tarde, chegámos à altura de voltar à base para seguir viagem de regresso a casa. Devo dizer que a descida foi bem mais rápida (“para baixo todos os santos ajudam”). Infelizmente não conseguimos visitar a Igreja Matriz por estar encerrada, mas mesmo assim, deliciámo-nos com a vista do Miradouro Praça dos Canhões.

Ainda sem fome, regressámos a casa, pois a viagem ainda ia levar cerca de três horas.

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